Bahia ‘retoma processo histórico’ ao ter Revolta dos Búzios como tema do Carnaval
Esse ano o
governo do Estado anunciou como tema do Carnaval do Pelourinho a celebração dos
220 anos da Revolta dos Búzios, um dos acontecimentos mais importantes da
história da Bahia. Em entrevista ao Bahia Notícias, Carlos Eduardo Carvalho de
Santana, diretor de Educação do Malê Debalê, explica por que a inconfidência
baiana tem menos espaço nas discussões sobre a história do Brasil e as
diferenças entre o movimento com outras inconfidências que ocorreram no país, como
a Mineira e a Carioca. “O que há de diferente na Inconfidência Mineira é
que talvez o grande grosso da se dá com a Elite. Tiradentes vai ser uma espécie
de um indivíduo representante da classe popular, ele é o mais pobre digamos
assim, então foi muito fácil você escolher um ícone, nós vamos ter um herói.
governo do Estado anunciou como tema do Carnaval do Pelourinho a celebração dos
220 anos da Revolta dos Búzios, um dos acontecimentos mais importantes da
história da Bahia. Em entrevista ao Bahia Notícias, Carlos Eduardo Carvalho de
Santana, diretor de Educação do Malê Debalê, explica por que a inconfidência
baiana tem menos espaço nas discussões sobre a história do Brasil e as
diferenças entre o movimento com outras inconfidências que ocorreram no país, como
a Mineira e a Carioca. “O que há de diferente na Inconfidência Mineira é
que talvez o grande grosso da se dá com a Elite. Tiradentes vai ser uma espécie
de um indivíduo representante da classe popular, ele é o mais pobre digamos
assim, então foi muito fácil você escolher um ícone, nós vamos ter um herói.
Na inconfidência
baiana você tem algumas diferenciações. […] Diferentemente da Inconfidência
Mineira, em que você tinha grandes lideranças, grandes senhores de Engenho,
escravocratas e um ícone, aqui não, aqui será ao contrário. A maior parte são
populares. Era uma revolta que iria enaltecer o povo e, se você enaltece a
classe mais baixa, você está mudando o sentido da pirâmide. É muito mais fácil
você escolher um ícone e transformar em um mártir do que transformar uma massa
em líderes. Tanto que na Revolta de Búzios 11 escravos serão presos, todos os
senhores serão absolvidos”, detalha. Carlos cita ainda que, mesmo após da
independência do Brasil, não se alcançou os objetivos buscados pelos inconfidentes
baianos. “É um processo extremamente brutal nesse sentido, o que nos faz
fazer uma reflexão de que, assim que o Brasil se torna independente, anos
depois, não significa necessariamente a liberdade.
baiana você tem algumas diferenciações. […] Diferentemente da Inconfidência
Mineira, em que você tinha grandes lideranças, grandes senhores de Engenho,
escravocratas e um ícone, aqui não, aqui será ao contrário. A maior parte são
populares. Era uma revolta que iria enaltecer o povo e, se você enaltece a
classe mais baixa, você está mudando o sentido da pirâmide. É muito mais fácil
você escolher um ícone e transformar em um mártir do que transformar uma massa
em líderes. Tanto que na Revolta de Búzios 11 escravos serão presos, todos os
senhores serão absolvidos”, detalha. Carlos cita ainda que, mesmo após da
independência do Brasil, não se alcançou os objetivos buscados pelos inconfidentes
baianos. “É um processo extremamente brutal nesse sentido, o que nos faz
fazer uma reflexão de que, assim que o Brasil se torna independente, anos
depois, não significa necessariamente a liberdade.
Você termina se
separando de Portugal, mas a escravidão continua e, quando chega o processo da
libertação da escravidão, você ainda tem as demandas que não foram resolvidas
desde Búzios. A República só vem depois. É como se houvesse uma tentativa de
que esses ideais não fossem postos em prática da forma como foi foram pensados,
como se houvesse uma especie de controle”, aponta. Mesmo assim, o educador
defende a importância de se tratar sobre o assunto durante o Carnaval.
“Hoje você vai estar dizendo ao mundo que a Bahia está fazendo uma
retomada de um processo histórico e as pessoas vão ter que estudar para saber
que processo histórico é esse”.
separando de Portugal, mas a escravidão continua e, quando chega o processo da
libertação da escravidão, você ainda tem as demandas que não foram resolvidas
desde Búzios. A República só vem depois. É como se houvesse uma tentativa de
que esses ideais não fossem postos em prática da forma como foi foram pensados,
como se houvesse uma especie de controle”, aponta. Mesmo assim, o educador
defende a importância de se tratar sobre o assunto durante o Carnaval.
“Hoje você vai estar dizendo ao mundo que a Bahia está fazendo uma
retomada de um processo histórico e as pessoas vão ter que estudar para saber
que processo histórico é esse”.
Entrevista completa em: www.irenedoris.blogspot.com





