Por Previdência, parlamentares da base cobram de Onyx cargos do 2º e 3º escalões

 O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni — Foto: Adriano Machado/Reuters

Deputados da
base aliada do governo Bolsonaro avisaram ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa
Civil) que, se o governo não abrir espaço para a política, a reforma da
Previdência não andará na Câmara dos Deputados com celeridade
.    O toma lá da cá sem nenhum pudor
O recado foi
dado pelo deputado federal Sostenes Cavalcante (DEM-RJ), em nome de
parlamentares aliados ao governo. Sostenes também levou queixas da bancada
evangélica – que ele lidera – ao ministro da Casa Civil.
No final de
semana, o deputado, do mesmo partido que Onyx, avisou ao ministro que a bancada
evangélica, apoiadora de Bolsonaro, estava irritada com a demissão de Pablo
Antônio Tatim, indicado pela bancada, de uma secretaria da Casa Civil. A
demissão foi sem explicação – e sem aviso prévio aos parlamentares.

O deputado
avisou ao ministro que, se o governo não abrir as portas para a articulação
política, dificilmente fará andar a Previdência.
Procurado pelo blog, Sostenes confirmou a
queixa.
“Eu não preciso
de cargo no estado, porque meu voto é de igreja. Mas precisa respeitar o
deputado que faz política assim. Dividir os espaços e cargos federais é natural
da política. Uma coisa é corrupção. A outra, é dividir espaço para fazer
política. Se não melhorar essa comunicação, fica difícil. E a gente quer
ajudar”.
Onyx, em reação,
sinalizou que a partir desta quarta-feira (13) o governo vai chamar
coordenadores das bancada estaduais para discutir cargos de segundo e terceiro
escalão.
No final de
semana, Rodrigo Maia esteve com o presidente Bolsonaro para discutir a
Previdência. Combinou de levar parlamentares para se reunir com o presidente.
Maia é da tese
de que o governo precisa melhorar a articulação política para aprovar a
Previdência. Nesta quarta, ele recebe o ministro da Economia, Paulo Guedes, e líderes
para almoçar.
Minirreforma ministerial

Mas
parlamentares ouvidos pelo blog afirmam que não é suficiente: cobram uma
minirreforma ministerial para que o governo, de fato, monte uma base com 4 ou 5
partidos. “Quantos votos o governo tem com os ministros que já estão ali? Tira
o ministro do Turismo, que já está quase caindo, e dá para outro partido, por
exemplo”, diz um líder do governo.
O presidente do
PSL, deputado Luciano Bivar, é contra a saída do ministro Marcelo Álvaro
Antônio [Turismo]. Ao blog, Bivar disse que aconselhou o ministro a “segurar
firme” no cargo, “como um marinheiro”.
“Tipo velho
marinheiro, segurar-se no mastro até que a tempestade passe”.
O ministro do
Turismo não respondeu aos contatos da reportagem.
Tratativas com parlamentares
A líder do
governo no Congresso, deputada Joice Hasselman (PSL-SP), está à frente das
tratativas com parlamentares nesta semana para fazer o atendimento das demandas
da base. Ela tem repetido a interlocutores que os cargos serão distribuídos de
acordo com critérios técnicos.
Desde
segunda-feira (11), Joice despacha do Palácio do Planalto no atendimento a
grupos de parlamentares. Nesta quarta-feira (13), pela manhã, tinha agenda com
cerca de 10 deputados.
Na terça-feira
(12), conversou com o presidente da Câmara e do Senado sobre a reforma.

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