Delegado que presidiu investigações do caso Marielle diz que ‘vivemos em um país que está sangrando’ com alto número de homicídios

Delegado Giniton Lages deixou a Delegacia de Homicídios da Capital (Arquivo) Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo
Delegado Giniton
Lages deixou a Delegacia de Homicídios da Capital (Arquivo) Foto: Cléber Júnior
/ Agência O Globo
Giniton Lages
diz que seu afastamento da Delegacia de Homicídios da Capital foi ‘algo
natural’
RIO – Apesar da
prisão de dois suspeitos da morte de Marielle Franco e de Anderson Gomes, o
delegado Giniton Lages deixou o caso, na semana passada, levando algumas
frustrações. Na primeira entrevista em que faz um balanço da investigação mais
importante de sua carreira, o ex-titular da Delegacia de Homicídios da Capital
enumerou as principais dificuldades para a elucidação do caso, entre os quais a
falta de pistas relevantes deixadas pelos assassinos e a relutância das
empresas multinacionais de serviços on-line em fornecer dados, mesmo quando
obrigadas judicialmente.
Ele criticou a
legislação penal por excesso de tolerância e defendeu a criação de bancos de
dados nacionais de impressões digitais e perfis genéticos, além do pacote
anticrime proposto por Sergio Moro.
Para Giniton,
“vivemos em um país que está sangrando. Por ano, são 72 mil vidas perdidas
( segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ocorreram 63.880 mortes
violentas intencionais em 2017 ).”
– Urgentemente,
temos que atacar isso com um conjunto de medidas contra a impunidade. Como não
conseguimos montar um banco nacional de impressões digitais? Como, cientes de
que os homicídios são predominantemente provocados por arma de fogo, ainda não
temos um banco nacional de perfis balísticos? Mesmo arrecadando vestígios de
DNA nas cenas de crimes, como não ter um banco nacional de perfis genéticos? De
que forma podemos reduzir a sensação de impunidade se a pena de homicídio é tão
baixa, a ponto de, com o benefício da rápida progressão de regime, logo o
homicida estar pronto a matar de novo? – indaga.
Eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL em 2016, com 46 mil votos (a quinta candidata mais bem votada do município), Marielle Franco teve o mandato interrompido por 13 tiros na noite de 14 de março de 2018, num atentado que vitimou também seu motorista Anderson Gomes Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo


Segundo ele, o
caso Marielle tinha características incomuns, observadas na disciplina do
monitoramento das vítimas e na peculiar escolha do modo de matar: “Em
razão da falta de vestígios relevantes, constatamos que a investigação, para
ter sucesso, teria de ser inovadora”, afirma ele.

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